Por unanimidade, Justiça Desportiva veta participação de Tifanny Abreu em competições nacionais

Atleta transgênero, que defende as cores do Osasco Voleibol, está impedida de disputar a edição desta temporada da Superliga
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A Justiça Desportiva decidiu nesta sexta-feira (23), por unanimidade, vetar a participação da oposta transgênero Tifanny Abreu, que defende o Osasco Voleibol, de participar das competições nacionais organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que segue as mesmas orientações do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Na temporada anterior, Tifanny, que ainda não se pronunciou sobre a decisão, já havia desfalcado a agremiação osasquense em competições internacionais como o Mundial de Clubes e o Sul-Americano. Após a decisão da CBV, a atleta, de 41 anos, disputou as partidas contra o Praia Clube, válida pela final da Supercopa do Brasil, e o Brasília, pela Superliga, em função de uma liminar conquistada no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Diante deste cenário, a oposta desfalca a equipe comandada pelo técnico Luizomar Moura no duelo contra o Mackenzie, a ser disputado neste sábado (24), em Belo Horizonte (MG), pela 2ª rodada da principal competição de vôlei do País. Luís Novaes, advogado responsável por defender a atleta, revelou, em contato com o ge.globo, que pretende contestar a decisão e pedir reavaliação da mesma no TJ-RJ.

“Estou em paz com a minha consciência, por lutar pelas minhas atletas e lutar pelo clube. Nós montamos essa equipe em abril com a Tiffany [Abreu] dentro da equipe. Essa luta para colocá-la em quadra, eu acho, legítima e vamos tentar fazer uma grande Superliga”, disse o técnico Luizomar Moura.

Histórico

Rodrigo Pereira de Abreu iniciou o processo de transição do sexo masculino para o feminino no ano de 2012 na Bélgica e foi finalizado dois anos depois, por meio, de um procedimento cirúrgico realizado na Espanha. Por conta deste processo ficou alguns anos longe das quadras. No vôlei masculino – como Rodrigo Abreu -, atuou por seis anos em clubes de países da Europa como Bélgica, França e Portugal, além de times que disputaram a Superliga A e B.

No começo do ano de 2017, já como Tifanny, ela recebeu a permissão da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para disputar competições de vôlei feminino. Com a liberação, a mesma defendeu o italiano Golem Palmi, que disputava a segunda divisão do vôlei italiano. No caso das mulheres, para jogar é necessário controlar o nível de testosterona, que precisa estar abaixo de 10 nanogramas, segundo exigência do COI, naquela ocasião.

Em dezembro de 2017, ela se tornou a primeira atleta transgênero à atuar em partida de vôlei no Brasil. O duelo foi entre Bauru e São Caetano, válido pela edição da Superliga 2017/2018. Esta é a sexta temporada dela com a camisa do Osasco Voleibol. Pelo clube osasquense conquistou títulos importantes como da Superliga, Supercopa e Campeonato Paulista.

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